A falácia do Big Bang

De todas as teorias que tentam explicar a origem do Universo, a mais incorreta é certamente a do Big Bang.

Ela é amplamente aceita por físicos teóricos e astrofísicos. Já rendeu incontáveis documentários, livros e artigos científicos e, no entanto, foi construída como um gigantesco castelo de cartas que pode ruir quando finalmente descobrirem que a primeira carta, a base do castelo, não sustenta nada. Ao contrário, ela é sustentada pelas outras cartas que foram colocadas depois.

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O assunto é complexo e precisa de explicações prévias.

Para começar, a teoria do Big Bang diz que o Universo foi criado há aproximadamente algo entre 13,3 e 13,9 bilhões de anos. Ele teria surgido do nada (sim, do nada. É o que os teóricos dizem. Podem pasmar à vontade) como uma grande explosão de energia. Essa energia teria se transformado em matéria posteriormente, enquanto a bola do Big Bang crescia velozmente. A matéria, inicialmente na forma de partículas subatômicas, teria se juntado para formar átomos, e estes se aglomerado para dar origem às estrelas, galáxias, etc. Tal ideia partiu inicialmente de Georges Lemaître, que propôs que o universo teria surgido de um “átomo primordial”. Tal hipótese era ousada, mas agradou muita gente. Mais tarde, ela ganhou força.

Como os físicos chegaram até essa ideia mirabolante?

Um cara chamado Edwin Powell Hubble e seu colega Homason analisaram as distâncias entre as galáxias e concluíram que elas se afastavam umas das outras e também da Terra. Mais do que isso, eles disseram que o distanciamento entre as galáxias é tanto maior quanto mais afastadas elas estão. Ou, segundo a fala de Lawrence Krauss, um físico teórico: “Todas as galáxias estão se afastando de nós e, o que é mais estranho, as que estão duas vezes mais longe se afastam com o dobro de velocidade, e as que estão três vezes mais longe se afastam com o triplo de velocidade, assim por diante, tudo está se afastando de nós.”

Em outras palavras, quanto mais longe uma galáxia está, mais rápido ela se afastaria. Uma analogia pobre, porém suficiente, é imaginar que o universo é uma bexiga se enchendo de ar. Imagine que você fez dois pontos na bexiga com uma caneta hidrográfica. Quanto maior a bexiga fica, mais se afastam os dois pontos em sua superfície, e com maior velocidade.

Mas como Hubble e Homason mediram essas distâncias?

Para explicar isso, precisamos entender outro fenômeno muito interessante da natureza chamado Efeito Doppler. Ele nos diz que quando um objeto emitindo ondas está se movendo, a percepção dessas ondas é diferente se o objeto está se afastando ou aproximando. Uma maneira fácil de perceber o Efeito Doppler é prestar atenção a um carro que passa com os vidros abertos e tocando no máximo volume uma música de gosto duvidoso. O tom da música é agudo enquanto o carro se aproxima, e se torna grave depois que ele passa. Dá até a impressão de que a música fica mais lenta enquanto o carro se afasta.

Segundo a física atual, esse fenômeno também acontece com a luz. Se uma fonte luminosa se aproxima a grandes velocidades, o comprimento de onda sofre um desvio para o violeta, ou seja, a luz tende a apresentar menores comprimentos de onda, tendendo para a cor violeta. Se a fonte luminosa se afasta a grandes velocidades, o inverso acontece, e ela tende a apresentar um desvio para o vermelho. Sendo assim, é possível determinar se uma fonte luminosa está se afastando ou se aproximando de nós, desde que a velocidade seja muito grande.

Sabendo disso, fica um pouco mais fácil entender como o a dupla Hubble-Homason concluiu que as galáxias estariam se afastando umas das outras. Eles observaram que as galáxias mais distantes têm um desvio da luz para o vermelho. Quanto mais distantes elas estão de nós, maior o desvio. Segundo ele, essa observação seria a prova da teoria de Georges Lemaître. Com o desvio para o vermelho, era possível dizer que as galáxias se afastavam do observador – no caso, nós – a velocidades cada vez maiores. Sendo assim, uma volta hipotética no movimento dessas galáxias indicaria que todas elas estiveram muito próximas umas das outras, até finalmente caberem em um “ponto”.

Estava demonstrada a teoria do Big Bang.

Mas, e se houver outra explicação para o “desvio para o vermelho”? Será que a dupla Hubble-Homason considerou todas as possibilidades? Ou será que eles encontraram aquele resultado específico apenas porque o estavam procurando?

Vamos colocar uma interrogação a mais neste Big Bang.

Quem já parou para apreciar o pôr do sol percebeu que a nossa estrela fica avermelhada quando se aproxima do horizonte. Ao meio-dia é impossível olhar para ela sem ferir a vista. De manhã, logo ao nascer, sua cor é alaranjada e brilhante. Portanto, a luz do sol muda de cor ao longo das horas…

Na verdade, a intensidade e cor da luz emitida pelo sol é sempre a mesma, não importa que horas sejam. O que muda é o ângulo do observador em relação ao sol. Quando é meio-dia, a luz vem diretamente de cima e atravessa uma determinada distância na camada atmosfera da Terra até chegar a nós. Ao pôr do sol, a distância que a luz precisa percorrer é maior (seria algo como a espessura da atmosfera mais o raio da Terra). Além disso, o ar está mais poluído e tem mais partículas de poeira em suspensão.

Em outras palavras, a luz do sol percorre um caminho mais longo quando a estrela se põe.

A luz “branca” que vemos com o sol a pino é composta por todas as cores. Cada cor tem um comprimento de onda. A cor azul, por exemplo, tem comprimento de onda mais curto, enquanto o vermelho é uma onda longa. Ondas longas conseguem “atravessar obstáculos” com mais facilidade do que as curtas. É por causa disso que o sol fica avermelhado no horizonte. As ondas longas conseguem vencer mais facilmente a dispersão causada pelas moléculas da atmosfera. As cores mais frias, como o azul e o verde, não conseguem.

Recapitulando, quanto maior a camada atmosférica que a luz do sol tem que atravessar, mais ela se torna avermelhada.

Isso não se parece com o desvio para o vermelho de Hubble-Homason? Sim, o resultado é o mesmo, mas a explicação dada a ambos os fenômenos é diferente. Vamos lembrar que a dupla de cientistas optou por dizer que o fenômeno observado nas galáxias era causado pelo efeito Doppler. Essa opção era favorável à teoria de um universo em expansão, e era o que eles estavam procurando provar.

Mas, vamos analisar os achados com outro olhar, verificando todas as hipóteses, sem uma ideia inicial preconcebida. E se o desvio do vermelho observado por Hubble-Homason estivesse relacionado com a dispersão da luz, e não com o efeito Doppler?

A primeira objeção que alguém pode apresentar é: não existe atmosfera no espaço, é vácuo! É impossível que a luz sofra dispersão! Porém, a ideia de que o espaço é um vazio absoluto caiu por terra (literalmente) quando descobriram os raios cósmicos, as partículas subatômicas e as nebulosas. O espaço sideral, na verdade, é permeado por matéria elementar. Realmente não existe uma atmosfera, mas dizer que ele é feito de nada é o mesmo que achar que não existe ar porque não o vemos.

Nossa atmosfera filtra a maior parte dessas partículas e nos protege delas. No entanto, para se ter uma ideia da quantidade delas percorrendo o espaço, podemos observar que, ao nível do mar, somos atravessados por uma dessas partículas por segundo, por centímetro quadrado.

Conclusão: o espaço sideral tem sim alguma coisa. Não é muita. A densidade é baixíssima se comparada com a atmosfera terrestre. Porém, no espaço estamos falando de distâncias realmente grandes, da ordem de milhões de anos-luz.

Para entender o que eu quero dizer com isso, vejamos o exemplo da água. Ela é transparente em um espaço pequeno como um copo, mas ainda assim ninguém consegue enxergar o fundo de um oceano.

Será que a baixa densidade aparente do espaço seria suficiente para fazer com que a luz de galáxias extremamente distantes chegasse até nós com algum tipo de dispersão? Se sim, quanto mais distantes as galáxias estiverem de nós, mais a luz delas vai sofrer desvio para o vermelho. Não foi exatamente isso o que observaram Hubble-Homason?

Mas, se a explicação para o desvio para o vermelho for realmente a maior distância que a luz tem que percorrer no oceano de raios cósmicos, e não o efeito Doppler, então a teoria do Big Bang deve ser descartada. O universo não está em expansão e não tem apenas os míseros 13,3 bilhões de anos que a ciência atual propõe. Coisas como a matéria escura não existiriam (afinal, isso foi criado para justificar a falta de matéria no universo que a teoria cosmológica atual descobriu), e diversas outras teorias muito aceitas precisariam ser revistas, inclusive a Relatividade, a queridinha dos físicos.

A astrofísica precisaria ter muita coragem, e uma dose cavalar de autoanálise, para admitir, depois de tanto tempo, tantos livros e tantos artigos, que a venerada dupla Hubble-Homason se esqueceu de considerar a hipótese, ainda que na forma de pequena possibilidade, de que a luz das galáxias sofre dispersão causada por raios cósmicos ou poeira interestelar.

Será que alguém já estudou o assunto de maneira conveniente, a ponto de descartar a hipótese da dispersão da luz? Duvido muito. Quando um status quo da ciência está estabelecido, ninguém consegue verba sequer para pensar em estudar uma ideia contrária àquela que todos querem que seja a verdadeira. É por isso que eu disse que a teoria do Big Bang está incorreta. As pessoas que a criaram e que a sustentam agiram e agem de maneira anticientífica, talvez até pseudocientífica, quando deixam de analisar um problema em todos os seus ângulos possíveis.

Assim é com a teoria do Big Bang. Uma grande, uma enorme explosão de ideias que nasceram como um castelo de cartas cuja base deveria ser reanalisada.


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