Mais rápido do que a luz – Tijolinhos de construção

Como enviar uma informação mais rápido do que a luz.

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A teoria da relatividade restrita do “seu” Einstein diz que é impossível viajar ou transportar informação mais rápido do que a velocidade da luz, a qual todo mundo está careca de saber que é, no “vácuo”, 299.792.458 metros por segundo.

O conceito de transportar informação é muito importante. E é justamente com ele que vamos fazer alguns experimentos mentais para demonstrar como seria absurdamente simples transmitir uma informação mais rápido do que a luz.

Por “informação” podemos entender uma interação entre duas partículas, uma respondendo às mudanças sofridas pela outra. Ou, de acordo com o autor J. Paulo Serra, “informação é o resultado do processamento, manipulação e organização de dados, de tal forma que represente uma modificação (quantitativa ou qualitativa) no conhecimento do sistema (pessoa, animal ou máquina) que a recebe.”

Em poucas palavras, poderíamos dizer que informação é alguma coisa que modifica outra. Se alguém jogar veneno na nascente do córrego, um animal que beber daquela água mais adiante será envenenado. Isto não deixa de ser, portanto, a transmissão de uma informação, além de um crime ecológico.

Mas vamos ao nosso experimento mental.

Imagine uma mesa de um metro de comprimento. Sobre ela, nós vamos alinhar tijolinhos de construção (aqueles de madeira que a gente brincava quando era criança). Vamos colocar um tijolinho diante do outro e formar uma fila deles no sentido longitudinal da mesa. Detalhe importante: a fila de tijolinhos começa numa beirada da mesa e termina na outra, a um metro de distância.

Agora vamos imaginar que temos um tijolinho a mais em nossa mão. A fila sobre a mesa já está completa e não cabe nem mais um tijolinho. Mesmo assim, nós vamos usar aquele tijolinho para empurrar os outros. Vamos colocá-lo no início da fila e forçar até que ele esteja apoiado sobre a mesa.

Mais rapido do que a luzO que aconteceu? Todos os tijolinhos da fila foram empurrados com igual velocidade sobre a mesa, e o resultado disso foi que o último tijolinho, lá no extremo oposto, caiu no chão.

Esse nosso experimento mental foi um exemplo evidente de transporte de informação. O primeiro tijolinho modificou o último como consequência de ter modificado os do meio.

Vamos ampliar nosso experimento e supor que construamos uma mesa um pouco maior, grande o suficiente para dar oito voltas ao redor da Terra, no equador do planeta. Com muita paciência, colocamos nossos tijolinhos de construção em fila sobre essa mesa, dando oito voltas no mundo, tudo muito parecido com quando usamos a mesa de um metro. De novo temos um tijolinho em mãos.

Vamos arrastar a fila como da primeira vez? Que tal se fizermos isso em exatamente 1 segundo? Não é tão difícil. Talvez exija muita energia, mas nada que uma máquina não possa fazer por nós. Assim que colocamos o primeiro tijolinho, exatamente no mesmo instante, o último tijolinho, ali ao nosso lado, cai no chão… E pronto, transmitimos uma informação com velocidade maior do que a da luz!

A luz daria sete voltas e meia ao redor da Terra em um segundo. Nosso tijolinho foi mais rápido. Ou seja, transmitimos uma informação mais rápido do que a luz faria.

Agora vamos imaginar que nossa mesa esteja no espaço, longe da Terra, e que ela é um pouquinho maior do que a última. Digamos que ela tenha 10 anos-luz de comprimento. Isso significa que, se eu acender uma vela na extremidade de cá, a pessoa que está sentada no outro extremo da mesa vai esperar dez anos até ser “iluminada” (entre aspas bem grandes) por aquela luz. É uma Senhora mesa.

Mas existe uma fila de tijolinhos de construção sobre ela… E há um tijolinho sobrando em nossa mão. A ausência de peso por causa do espaço vai garantir que a quantidade de energia necessária para mover a fila de tijolinhos seja ridícula.

Ao colocarmos o tijolinho no começo da fila, o último deles, dez anos-luz de distância, vai se deslocar no mesmo instante que o primeiro. Nós transportamos uma informação em tempo real, e a uma distância absurdamente grande. Nós fizemos uma informação viajar muito mais rápido do que a luz faria.

Existe algum motivo para que isso não aconteça?

Bom, algum xiita da relatividade (e eles existem aos montes, são como tijolinhos) pode argumentar que o observador A viu uma coisa, enquanto o observador B viu outra, ou que vai demorar dez anos-luz até o observador A perceber que o tijolinho X fez isso ou aquilo… Bobagem! A informação foi transmitida, transportada em tempo real, independentemente das diarreias mentais e do que as fórmulas matemáticas que mais parecem partituras da Nona sinfonia digam.

Repito a pergunta: existe algum motivo para que isso não aconteça da forma descrita?

Basta lembrar que é um experimento teórico (e os físicos adoram de paixão esses experimentos), para percebermos que a transmissão da informação mais rápido do que a luz é uma realidade.

Não estamos dizendo que os tijolinhos se moveram mais rápido do que a luz. Isso não aconteceu sobre a mesa. O que fizemos foi transportar uma informação a dez anos-luz de distância em digamos, um ou dois segundos.

Talvez isso tenha implicações na Física Quântica, no teletransporte, e, sobretudo, no Efeito Túnel, também conhecido como tunelamento quântico… Afinal, não é a partícula (tijolinho) que atravessa instantaneamente o espaço, mas sua energia (informação) que se propaga por trilhões ou mais de tijolinhos até afetar outro.

Será que existem fenômenos na natureza que usam o conceito do tijolinho de construção para propagar informações de uma ponta à outra de uma galáxia?

Se isto viola ou não a causalidade da teoria da relatividade de Einstein eu não sei dizer. Não pensei no assunto. Mas uma coisa parece evidente (e chocante, de tão simples): esses tijolinhos poderiam construir uma nova maneira de olharmos o Universo.

Para saber mais (ou não), selecionei alguns links:

Ação fantasmagórica à distância é 10.000 vezes mais rápida que a luz

Mais rápido do que a luz

Tunelamento quântico

 

Referência: Serra, J. Paulo. Manual de Teoria da Comunicação. Covilhã: Livros Labcom, 2007. 203 p. p. 93-101.


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