eBook Não é PDF

O sucesso dos livros digitais – eBooks – ainda não aconteceu no Brasil porque aqui os leitores acham que PDF é sinônimo de livro eletrônico.

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Quando as pessoas descobriram que podiam baixar seus desejados livros no formato PDF pela internet, e que podiam fazer isso de graça, criou-se uma legião de leitores que preferiam ler na pequena tela de um smartphone ao invés de pagar caro pela versão impressa do livro.

A cultura de fuçar várias páginas e blogs de origem duvidosa em busca de jogos e softwares piratas é a mãe dessa prática de baixar livros no formato PDF. Sempre existe alguém com a versão PDF do livro que você quer ler e, assim como no caso dos jogos, muitos estão acostumados a ter o produto de graça.

Mas ler um documento estático de 300 ou 400 páginas em um celular é para quem quer muito saber o que acontece no final do livro. O formato PDF (Portable Document Format) foi criado para poder compartilhar informações sem a necessidade do software onde ela foi criada. Assim, texto e imagens podem ser lidos mesmo em um computador que não tenha programas de texto ou imagem. Basta ter um leitor de PDF, que é gratuito.

Porém, ele tem o inconveniente de não permitir edições no arquivo. Um leitor de PDF não permite que as letras sejam aumentadas ou diminuídas, não modifica o espaçamento entre as linhas e te deixa na mão caso você não saiba o significado de uma palavra. Para aumentar o tamanho das letras de um PDF em um celular, só dando zoom no documento. Daí o final das frases sai da tela. O formato PDF definitivamente não foi feito para ser amigo de quem gosta de ler livros em telas pequenas.

Por causa disso, se perguntarmos aos amantes de livros se eles preferem o formato físico ou o PDF, é natural que a resposta quase unânime – e esmagadora – seja a preferência pela versão impressa. O problema é que, por essas mesmas razões, se perguntarmos se eles preferem livro físico ou eBook, o físico também vai ganhar.

Muitas pessoas ainda acreditam, em pleno século 21, que comprar eBook é pagar para ler PDF.

Acontece que um arquivo PDF não foi criado e não serve para ser um eBook. Um eBook pode ter vários formatos que dependem do eReader e da empresa que os comercializa. Os mais famosos são o ePub e o Mobi. A linguagem deles é totalmente diferente da de um PDF. E as vantagens também. Veja abaixo do que um eBook é capaz.

  • O tamanho das letras pode ser modificado. Nada de dar zoom. As letras podem ser aumentadas e o texto é justificado automaticamente na tela.
  • A fonte pode ser trocada. Não gostou do estilo da fonte? Um livro de terror pode ser lido com uma fonte mais gótica, enquanto um de ficção científica pode ter uma fonte mais “futurista”. É só escolher entre as opções.
  • O espaçamento entre as linhas pode ser alterado. Textos mais densos e longos merecem um espaçamento maior entre as linhas, o que torna o livro mais agradável de ler.
  • Há dicionários incorporados aos eReaders. Os aparelhos que leem livros eletrônicos veem com dicionários incorporados que podem ser acessados diretamente do eBook. Basta clicar sobre uma palavra e o significado dela aparece em uma janela. Não há mais desculpas para ter um vocabulário pobre.
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Exemplos de tamanhos de fontes em um eBook Kindle. Fonte pequena na esquerda, fonte maior à direita.

É fácil entender porque um PDF não é um eBook. Um arquivo em PDF não tem essas qualidades. Aliás, o livro impresso também não, apesar de todo o seu charme e de ser um objeto de desejo que muitas vezes vale mais pela forma do que pelo conteúdo.

Se você nunca teve contato com um eReader (Kindle, Kobo, Lev) e nunca viu um eBook “em funcionamento”, a primeira coisa a fazer é tirar da cabeça de uma vez por todas essa ideia de que livro eletrônico é PDF. São coisas muito diferentes.

Cansa ler numa tela? É porque você nunca experimentou a tecnologia Paperwhite de um Kindle, por exemplo. A tela imita o papel e não tem brilho, ao contrário do monitor de um computador ou da tela de um celular. Os eReaders foram desenvolvidos para darem ao leitor a experiência mais próxima possível de estar lendo um livro impresso, com todas aquelas vantagens já descritas acima e que apenas um livro eletrônico pode te dar.

Não quer pagar para ter um eReader? Acontece que os modelos mais básicos – e ainda assim muito interessantes – custam o mesmo que quatro ou cinco livros impressos. Considerando que você pode armazenar milhares de livros nele e ainda baixar livros gratuitos na própria Amazon, por exemplo, então vale muito a pena ter um Kindle.

Mesmo assim não quer investir em um Kindle? Então você pode baixar o aplicativo gratuito da Amazon para ler eBooks no seu celular, notebook, tablet ou PC. O aplicativo praticamente transforma seu celular em um eReader, a não ser o brilho da tela, que vai continuar o mesmo de sempre. Veja como é fácil instalar aqui.

Seu livro preferido está em PDF e não no formato eBook? Ao criar uma conta na Amazon, você cria seu email Kindle. Se você enviar seu arquivo PDF para o seu email Kindle colocando o título “Convert” no assunto do email, a Amazon instantaneamente transforma seu PDF em eBook e o envia para os aparelhos ligados à sua conta (Kindle ou celular). Simples e de graça.

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Exemplo de dicionário incorporado em funcionamento. Palavras desconhecidas se tornam aprendizado interativo nos livros digitais.

Em resumo, quando você paga para ler um livro eletrônico, você está pagando por uma série de vantagens e confortos que apenas uma tecnologia muito bem estruturada pode oferecer. Não é o caso de ler um livro no formato PDF.

Além de devolverem aos escritores o direito que havia sido retirado das mãos deles – o direito de escrever com liberdade e ver suas obras publicadas sem interferências, os eBooks estão se tornando um símbolo de sofisticação e modernidade. Ter um eReader é levar uma imensa biblioteca para onde quer que você vá. E isto também é liberdade.


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